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Capital político: o ativo invisível que define sua carreira

Por Débora Bolangno | Estratégia de Carreira & Liderança · 5 min de leitura

Estruturando a mentoria Marca Intencional, mergulhei em alguns conceitos e pensadores para sustentar algo que vejo todos os dias na prática, mas que nem sempre é nomeado com clareza. Em meio a esse processo, voltei a Pierre Bourdieu. E foi interessante perceber como uma teoria sociológica, muitas vezes tratada como distante da realidade corporativa, descreve com bastante precisão o que acontece dentro das empresas.

Bourdieu fala sobre diferentes formas de capital que operam na sociedade, como o econômico, o cultural, o social e o simbólico. Quando isso é trazido para o ambiente corporativo, a leitura fica quase óbvia, ainda que pouco discutida de forma direta. Existem profissionais muito competentes que não crescem na mesma proporção da sua entrega e outros que avançam com uma velocidade que, à primeira vista, parece desproporcional. Isso não é aleatório. Existe uma estrutura por trás.

Quando Bourdieu afirma que o capital simbólico é a forma que os diferentes tipos de capital assumem quando são percebidos e reconhecidos como legítimos, ele nos obriga a olhar para carreira de um jeito menos ingênuo. Porque não basta entregar bem, é necessário que essa entrega seja reconhecida, validada e associada ao seu nome.

Dentro das organizações, isso se manifesta no que chamamos de capital político. Não no sentido superficial ou pejorativo que muitas vezes acompanha esse termo, mas como a capacidade de construir relações relevantes, compreender o contexto, ler as dinâmicas de poder e influenciar decisões e percepções ao longo do tempo. Toda organização é um sistema social, e decisões importantes não são tomadas apenas com base em dados, mas por pessoas que interpretam, simplificam, associam e escolhem.

Ignorar essa dimensão não torna o ambiente mais justo, apenas coloca o profissional em desvantagem dentro dele.

Ao longo das mentorias, vejo isso de forma recorrente. Profissionais com repertório, consistência e entrega que não ocupam o espaço que poderiam ocupar. Não por falta de capacidade, mas por ausência de construção intencional de percepção.

Quando começamos a organizar isso, algumas coisas passam a fazer mais sentido. A forma como você se enxerga, o quanto sustenta essa imagem, o quanto isso aparece no seu comportamento e, por consequência, como isso é interpretado pelos outros. Não se trata de algo acessório. É o que transforma competência em reconhecimento e reconhecimento em oportunidade.

No fim, carreira não se constrói apenas pelo que você faz, mas pelo que é reconhecido, lembrado e associado ao seu nome quando você não está na sala.

Talvez o ponto não seja jogar o jogo corporativo, mas parar de fingir que ele não existe.

Texto publicado originalmente por Débora Bolangno no LinkedIn e adaptado para o blog. Clique aqui para visualizar a publicação original no LinkedIn.

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